londres para lilian e caroll | parte 1

♫ Caetano Veloso | Nine out of ten

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É difícil dar dicas de Londres sem cair na mesmice de sempre, até porque a mesmice londrina é de suspirar. Já fui algumas vezes e sempre volto com vontade de ficar para sempre (talvez pelo fato de minha mãe morar lá desde 2008, sinto que a cidade é minha segunda casa). Alguns programas faço e refaço toda vez que vou, como a feira de Portobello no sábado (quero falafel!) e comprinhas em Camden Lock, mas o mais impressionante é que sempre tem novidade na área: exposições, shows, festivais, uma região da cidade que está em alta… Duas amigas muito queridas minhas estão de viagem marcada para lá e me pediram algumas dicas. Uma vai em maio, primavera, outra em setembro, outono. Independente da estação, o clima provavelmente será o mesmo: muita chuva! Londres é assim, rouba fácil o título de terra da garoa de São Paulo. Minha primeira dica é, portanto, levar uma sombrinha na mala, de preferência uma pequena que dê para carregar na bolsa. Vai quebrar um super galho e viabilizar a maratona de programação.

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A primeira impressão é a que fica
Para sacar de uma só vez os monumentos mais batidos e sempre deslumbrantes de Londres, pegue o metrô, saia na estação de Waterloo e caminhe duas quadras rumo ao Tâmisa. Prepare-se para a vista. O rio, o Parlamento, o Big Ben, a London Eye… Tudo enorme ali na sua frente. Margeando o rio, há um caminho muito charmoso só de pedestres, chamado Queen’s Walk, que passa em frente ao Globe Theatre (o teatro de Shakespeare), ao South Bank Centre (complexo cultural que vale checar a programação) e leva até o Tate Modern, meu museu preferido da cidade. De frente ao Tate está a Millenium Bridge, também só de pedestres, que é linda e dá de cara com a cúpula da catedral de St. Paul. Depois de uma visita ao Tate (tem obras do Hélio Oiticica!), atravesse a ponte e vá desbravar o centro antigo de Londres, nas redondezas da catedral.

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Bateu fome?
Os londrinos não sabem comer direito. Para eles, tudo se resume a lanchinhos comidos às pressas no banco de uma praça. Por isso não faltam na cidade lugares que oferecem sanduíches, sopas e saladas já prontos, gostosos e por um preço acessível. A própria rede Starbucks é um desses lugares, mas o meu preferido é o Pret a Manger, que privilegia ingredientes frescos e tudo é feito no mesmo dia. Destaque para a baguete de parma com espinafre e o brownie (nhami!). Todas essas “lanchonetes” cobram um preço diferenciado para quem come na casa ou para quem leva embora para comer em outro lugar. O “take away” é sempre mais barato, então se o clima estiver favorável, leve o lanche para uma pracinha e coma como os londrinos. Outra boa opção gostosa e barata são as feiras de comida, onde é possível comer uma porção grande de paella ou de comida marroquina ou tailandesa ou qualquer outra nacionalidade por uma bagatela de £ 5. Perto da região do Tate Modern há o Borough Market, o mais antigo mercado de alimentos de Londres. Vale a pena uma visita. Há várias outras feiras espalhadas pela cidade, com certeza você vai ver muitas pelo caminho.

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Mais feiras
E falando em feiras, há duas preferidas minhas onde você encontra de tudo e mais um pouco: Portobello Market e Brick Lane Market. A de Portobello acontece aos sábados e é uma junção de mais ou menos cinco feiras diferentes: de antiguidades, comida, discos, artes e artesanato. Gosto de descer a rua imaginando Caetano fazer o mesmo na época do exílio. Naquela época, a região era habitada principalmente por imigrantes jamaicanos e, consequentemente, o reggae corria solto. Hoje há todo tipo de estilos musicais (provavelmente você vai ver um artista diferente a cada esquina, tocando e pedindo uns trocados. Já vi bandas inteiras e até mesmo um tocador de gaita de foles. É fantástico). Sempre vou preparada para almoçar um falafel (boca enchendo de água…) e depois passear pela região, o famoso, fino e rico bairro de Notting Hill.

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Brick Lane já é mais roots. Fica localizada em na região leste da cidade, que há até pouco tempo era meio perigosa, mais pobre. Os baixos aluguéis atraíram artistas e intelectuais, entre eles um graffiteiro que provavelmente você já ouviu falar: Baksy. Foi só ele colocar sua assinatura nos muros e BAM! A região virou uma das mais hypes do momento. Andar por Brick Lane (a feira rola aos domingos) é como passear por uma galeria a céu aberto. Centenas de desenhos roubam a cena, disfarçando o ar decadente dos prédios. Mas não é só Brick Lane que merece destaque nessa área. East London inteira precisa de uma atenção especial.

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Go east!
Nem só da feira e de graffitis fantásticos vive East London. A região tem tanta coisa legal que nem sei direito por onde começar. Para a Lilian, talvez a dica melhor sejam os brechós. São vários no bairro, alguns mais modestos, outros enormes, que vendem uma infinidade de roupas, além de utensílios domésticos antigos e artigos vintage de decoração. Destaco a Hoxton Boutique, Blitz London e Beyond Retro, mas não se apegue apenas a elas! Abra seu coração para as outras também. Já a Caroll acho que vai ficar doida na loja de discos Rough Trade da Old Truman Brewery. Há uma outra unidade perto de Portobello, mas a de East London é mais legal, até porque vira e mexe eles fazem shows gratuitos para divulgar lançamentos de discos e tal. Em março passado, quase fui ver um show do Suede lá, mas acabei me enrolando com outras coisas. Enfim, rolou Suede e de graça!

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Como o forte da região é a vibe artística, há várias galerias por lá. Inclusive toda primeira quinta-feira do mês rola um evento muito legal, chamado First Thursdays, em que todas as galerias fazem vernissage ao mesmo tempo e servem espumantes aos visitantes. Daí dá para você ficar andando de lugar em lugar, vendo exposições e tomando espumante. Legal, né? A mais famosa das galerias é a Whitechapel, que funciona numa antiga capela abandonada. Para a noite, rola dar uma sacada no Café Oto, um lugar moderninho, onde acontecem uns shows experimentais (dê uma olhada na programação da casa). O legal de East London, além de tudo isso, é que dá para conhecer uma região que agora que está virando um pouco mais turística, mas que ainda conserva características de bairro afastado e decadente que foi até um tempo atrás.

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Ufa! Acho que já deu por hoje. No próximo post continuo com as dicas. Vou falar de alguns restaurantes legais e não muito caros (o Fifteen do Jamie Oliver vai ficar de fora! rs.), lugares bons para umas comprinhas, pubs divertidos, museus e outros pontos que valem uma flanada.

*Fotos do meu acervo pessoal, tiradas com a câmera La Sardina. #lomography

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