meus lugares preferidos | são paulo

♫ Caetano Veloso | Sampa

São Paulo é o destino com maior número de voos disponíveis para quem mora em Goiânia (ou para qualquer morador de grande parte do Brasil) e talvez por isso as passagens sejam bem baratas, principalmente quando se acha uma promoção interessante (o que rola com frequência). Por conta disso, sempre que o tempo e a conta corrente colaboram, resolvo fazer uma visitinha à maior capital da América do Sul. Caótica, decadente e com uma vida cultural que se compara a qualquer outra cidade da Europa, São Paulo sempre me faz refletir sobre a vida – às vezes bem, às vezes não, mas sempre enriquecedor. Apesar de a cada viagem eu me forçar a conhecer novos lugares, não consigo evitar de repetir minhas figurinhas preferidas. Velhos conhecidos ou novas paixões, meus programas e lugares preferidos da cidade eu listo abaixo.

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Museus e espaços culturais

– Masp – Eu sei que é clichê, mas o Museu de Arte de São Paulo já é lindo por si só. Com projeto assinado pela arquiteta Lina Bo Bardi, o lugar tem um acervo sensacional, que inclui Renoir, Matisse, Van Gogh e outros tantos. Para não repetir sempre as mesmas obras, vale a pena conferir as exposições temporárias, que também surpreendem.

– Museu da Língua Portuguesa – Um museu todo interativo que alterna sua programação com exposições temáticas. É bem legal e fica bem em frente à Pinacoteca, outro lugar legal de conhecer, de arte brasileira. Da Pinacoteca saem vans gratuitas para a Estação Pinacoteca, onde fica o acervo dos modernistas (Tarsila, Di Cavalcanti, Portinari…). A região inteira da Estação da Luz vale um passeio, mas em dias úteis e horários comerciais, porque o centrão é meio perigoso quando deserto.

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Itaú Cultural, Caixa Cultural, CCBB e Sesc Sempre têm algo muito legal programado. Não dá para viajar sem checar a agenda de cada um.

– MAM – Não sei se gosto mais do MAM pelo acervo e exposições de arte moderna (meu estilo preferido de arte junto com a contemporânea) ou pelo lugar onde está: no coração do Ibirapuera, o que faz o passeio ser ainda mais agradável do que seria. O clima é muito gostoso, especialmente aos domingos, quando o parque fica lotado de gente andando de bike ou skate, crianças correndo, casais namorando… É meio propaganda de margarina.

– MIS – O Museu da Imagem e do Som não era tão visitado até emendar a exposição do Stanley Kubrick com a do David Bowie. Não consegui ver a do Kubrick, mas a do Bowie foi muito legal, com rascunhos do artista, figurino de turnês, histórias sobre as composições, vídeos e várias outras coisas de arrepiar. Nas quintas-feiras o lugar fica aberto até às 22h e dá até para esticar um jantar fino no restautante charmosíssimo e à luz de velas do museu, o Chez MIS, de culinária mediterrânea.

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Spots

– Livraria Cultura da Paulista – São três andares mais quatro anexos e um cinema, um café e um lugar para leitura, com pufes e espaço para os clientes deitarem e se jogarem como quiserem (só é difícil arrumar espaço!). Com esse tamanho, dá para achar de tudo e mais um pouco, até aquele título que você procura há tempos, mas não consegue encontrar.

– Vila Madalena – Confesso que fui a primeira vez só agora e me arrependo de não ter passeado pelas ruas desse bairro antes. Como é lindo! Casinhas fofas, lojinhas cool, graffiti em toda esquina, bares e mais bares que agradam todos os gostos, além claro do Beco do Batman. Se um dia eu me mudar para São Paulo, quero morar na Vila Madalena!

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– Rua Augusta – É a rua mais eclética que conheço. De manhã, lugar de lojas moderninhas (principalmente do lado dos Jardins); à noite, é quase impossível passar de carro nela, pela quantidade de pedestres atrás de uma noitada boa. E quando digo noitada boa na Augusta, incluo o mais baixo dos bordéis, os botecões, os bares playboys e as boites do momento. Está tudo lá, na mesma rua. Se nada agradar, os arredores também estão repletos de opções. Não tem noite melhor que a da Augusta.

– Sala São Paulo – Mesmo para quem não gosta de música clássica, acho válida a experiência para conhecer uma das salas com melhor acústica do país. O teto é inteiro móvel e suas partes são rearranjadas de quando em quando em busca do melhor som. Incrível e linda e também fica na Estação da Luz.

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– Praça Roosevelt – A praça que fica no final da Rua Augusta é o point do teatro alternativo da capital e abriga diversas companhias que se apresentam praticamente todas as noites da semana. A minha companhia preferida é a Satyros, que já veio para cá durante o Goiânia em Cena apresentar Saló. Pesado! Mas a Satyros é assim: sem medo e sem vergonha de fazer arte. E se você tiver sorte, ainda pega espetáculos gratuitos, mas tem que chegar cedo. O teatro comporta apenas 40 pessoas.

– Mercado Municipal – Acho que despensa comentários. Só aviso: comece a pensar desde já se vai comer o pastel de bacalhau ou o sanduíche de mortadela. A dúvida é cruel e você vai ver toda banca anunciar as iguarias, mas o original mesmo é o Hocca Bar, com unidades tanto no térreo quanto no andar superior.

– Feira da Benedito Calixto – Feira de antiguidades que rola todos os sábados na praça homônima. Imperdível.

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Restaurantes e afins

– Rong He (Rua da Glória, 622, Liberdade) – Minha mais nova paixão. Há anos vi o restaurante ser destaque em um programa de gastronomia e desde então cultivo uma vontade de conhecer, mas só agora consegui encaixá-lo no meu roteiro. A especialidade da casa chinesa da Liberdade são os macarrões feitos na hora (há inclusive uma vitrine onde é possível ver o cozinheiro esticar e esticar e esticar a massa). As porções são bem fartas (acho que servem umas quatro pessoas tranquilamente) e muito baratas. Para se ter uma ideia, o macarrão picante de frutos do mar sai por R$ 33. Mas há outro preço caro a se pagar: aguardar lugar na fila que é grande. O esforço é bem recompensado no fim 😉

– L’Entrecôte de Paris (Alameda Ministro Rocha Azevedo, 1041, Jardins) – Saca o Olivier Anquier? Pois é. Ele tem um restaurante muito fino chamado L’Entrecôte d’Olivier que serve apenas um prato: o entrecôte com um molho incrível que leva mais de 20 ingredientes e 30 horas de preparo, com batatas fritas refil. Isso custa nada mais nada menos que R$ 75 por pessoa. Ok que a carne é a melhor que eu já comi e o molho é inexplicável de tão bom, mas acho meio exagero cobrar 75 dilmas por um bife com batata frita. Ainda bem que Deus é justo e zela pela classe média. Eis que existe a opção mais acessível desse prato de dar água na boca e se chama L’Entrecôte de Paris. Ele também é do Olivier e também serve apenas um prato, o mesmo que custa o olho da cara, mas aqui ele sai, na hora do almoço, por R$ 48! Ok, continua caro, mas poxa, pessoas pagam R$ 75 por ele! Uma economia de R$ 30! E olha, quando você colocar o primeiro pedaço da boca, nem vai se importar com a conta.

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– Bella Paulista (Rua Haddock Lobo, 354, Consolação) – Essa padaria funciona 24h, tem um cardápio extenso, quitutes deliciosos e costuma salvar a fome da madrugada. Só tem um problema: ultimamente anda muito lotada, com fila de espera quilométrica. Sinceramente, não acho que vale a pena esperar, e se o horário estiver entre 6h40 e 22h20, recomendo andar alguns metros até a Padaria Brasileira (Rua Augusta, 1592), famosa pela variedade de coxinhas (tem até de pernil e linguiça toscana).

– Hamburgueria 162 (Rua Luís Coelho, 162, Consolação) – Sanduíches gourmet sem muita frescura e uma batata frita com casca e páprica que vou te contar…

– Exquisito (Rua Bela Cintra, 532, Consolação) e Sancho Bar y Tapas (Rua Augusta, 1415, Consolação) – Dois bares super bombadinhos: um com temática e cardápio mexicano, o outro, espanhol. O Sancho, inclusive, tem um buffet de tapas, grande parte com jamón na receita. Se for ao Exquisito, se jogue nos mojitos!

– Famiglia Mancini (Rua Avanhandava, 81, Bela Vista) – Ah, como ir a São Paulo e não cair de amores por esse lugar? A família é dona de vários estabelecimentos em um trechinho da rua, enfeitada com paralelepípedos e luzes coloridas. Mas é para a tratoria que você deve ir. As porções são grandes, então cuidado para não pegar muito pesado na mesa de frios, que é de enlouquecer. Aproveite para mandar um cartão postal do restaurante para alguém que você goste. A casa paga o selo!

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Essas são as minhas sugestões de sempre. Para saber as novidades e eventos culturais rolando na cidade, não deixe de conferir a Time Out São Paulo. O conteúdo é muito completo e sempre há ótimas sugestões (inclusive algumas inusitadas). No mais, não se esqueça de levar um guarda-chuva com você. O apelido Terra da Garoa não é à toa.

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