portas e janelas coloridas | goiás

♫ Anelis Assumpção | Sonhando

Tenho uma relação muito íntima com o Fica (Festival Internacional de Cinema e Vídeo Ambiental). Talvez pelo evento ser o mais esperado pelos estudantes de jornalismo da UFG (desde a faculdade, fui acostumada a esperar o festival com ansiedade), talvez por eu ser apaixonada em pequenas cidades histórias, talvez por eu usar o momento como desculpa para me jogar nas comidas típicas goianas, talvez por juntar tudo isso e mais. Como é bom dar um tempo do corre-corre rotineiro e recarregar as energias em uma cidade tão charmosa como Goiás. Caminhar pelas ruas de pedra, ver o rio passar, a Serra Dourada lá longe e as casinhas… ah, as casinhas! Como são lindas! Cada uma, com suas janelas e portas coloridas, são tão únicas e deslumbrantes que eu poderia passar o dia inteiro sentada na calçada, vendo a paisagem.

Parece que o tempo tem outro ritmo aqui. As manhãs são mais urgentes (até porque o calor e o sol a pino não deixam a gente dormir muito. O dia grita lá fora) e as tardes, mais preguiçosas (pedem uma sombra e uma cervejinha). Até ontem (sexta-fera), o público estava bem menor do que as últimas edições, mas para mim, esse é o maior ponto positivo do festival. Com cursos, palestras e convidados legais (vi o Robert Stam!), senti o Fica muito mais maduro este ano: menos preocupado com plateia, mais focado na qualidade dos debates. O legal é ver pessoas de fora com a mesma impressão. Conversando com uma das mulheres da equipe do Canal Brasil, ela elogiou tanto a cidade e o festival que fiquei orgulhosa. Isso porque ela roda o Brasil inteiro cobrindo eventos do tipo. O primeiro suspiro que ela deu ao chegar em Goiás, foi quando avistou as casinhas daqui. Dou toda razão a ela.

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e assim seguiremos…

♫ Fela Kuti | Coffin for head of state

Sei que estou atrasada na postagem, mas é que hoje foi um dia importante para eu estar nas ruas. Sinto no Brasil uma atmosfera tensa, como se fosse uma bolha prestes a explodir (e vai explodir a qualquer momento). A verdade é que governos agressivos geram uma sociedade tão agressiva quanto. Por isso se vê tantos protesto em todas as cidades do país. Nada mais natural. Acho que demorou até demais para a panela de pressão estourar. Só faltava uma chacoalhada, que veio em forma de Copa do Mundo. Tudo bem que o evento é uma festa, que o Brasil é o país do futebol, mas trazer os jogos para cá mostra o total descaso do governo com a população. Isso porque tudo é bancado com dinheiro público (muito dinheiro público) e nada é para nós. Essa Copa não é para os brasileiros. Não nos beneficiaremos em nada com ela, aliás, só estamos nos ferrando com isso.

Vemos uma supervalorização bizarra das coisas em todas as cidades-sede e seguimos sem investir em setores básicos para atendimento da população. Cadê os aumentos salariais dos profissionais da educação? Cadê mais escolas de qualidade? E uma merenda saudável, infra-estrutura e inclusão social? Cadê pacientes bem atendidos nos hospitais públicos? Cadê ônibus que atendam todos os usuários com eficiência? Cadê? Cadê investimento no Serviço Social e em Direitos Humanos? Cadê? Está tudo nos estádios lindos e pomposos que foram reconstruídos e reformados para um mês de evento. Tudo isso para que grandes empresários e péssimos políticos se beneficiem com o dinheiro que deveria ser investido no nosso presente e futuro.

Essa Copa era o que faltava para tudo explodir. As manifestações e protestos são legítimos. Eles defendem a população, pedem por dias melhores. E o que o governo faz para se resguardar é lidar como se todos os manifestantes fossem bandidos e vândalos. Prendem inocentes, torturam militantes, fazem todo um teatro para que a sociedade também veja tudo com maus olhos. Parece familiar essa história, não é? Pois tudo aconteceu do mesmo jeito na época da ditadura militar (prenderam três líderes estudantis! São presos políticos?). Também aconteceu durante a Revolução Francesa e várias outras revoluções que mudaram a história. Quando o governo não escuta nossas súplicas, é preciso recorrer a métodos mais eficientes para sermos ouvidos. O grito está correndo por aí; está nas ruas do Rio, de São Paulo, de Goiânia.

Hoje à tarde participei da manifestação que partiu da Praça Universitária (palco de tantos outros protestos na história) e foi até o Fórum de Justiça entregar um abaixo assinado de mais de 1.500 assinaturas contra a criminalização das manifestações (é um direito do povo!) e pela soltura dos três estudantes presos: Ian, Heitor e João Marcos. Prendê-los a poucos dias da Copa não foi uma coincidência? Foi uma tentativa de intimidação que não deu certo? A insatisfação segue forte e presente. Podem até tentar segurar a correnteza, mas um dia a barragem arrebenta. E esse dia já chegou. Quinta-feira tem outra manifestação marcada para às 9h, em frente a Catedral da rua 10. Na terça, quando a Seleção Brasileira estará na cidade para um amistoso, mais um protesto será feito. E assim seguiremos até conseguirmos sermos ouvidos e, acima de tudo, atendidos.

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#lomography

♫ Metric | Dead Disco

Quanto tempo faz que você não revela uma foto? As câmeras digitais facilitaram nossa vida em alguns aspectos, mas tiraram muito da “magia fotográfica”. Não existe mais a surpresa, o sentimento, a saudade… O que existe é gente bonita sorrindo para postar nas redes sociais. E se alguém não saiu bem, é só apagar e tirar de novo. Os registros ficam esquecidos no computador e quase nunca se materializam em papel. E é assim que as fotos se perdem no tempo. Uma pena… O que seus filhos e netos vão ter de lembranças suas? Não existe nada mais tocante do que sentar em um sofá e folhear álbuns de família antigos. Graças à mania digital de nunca imprimir as fotos, as gerações que se seguem não vão ter esse momento. E a não ser que você deixe seu Facebook para a posteridade, seus netos nunca verão você quando jovem, muito menos verão aquela viagem sensacional das férias passadas.

Na contramão do digitalismo, as câmeras lomográficas são a salvação para as fotos esquecidas. Por ser analógicas, dá uma coceira de curiosidade e uma ansiedade gigante para revelar logo e ver o que saiu. Como elas têm efeitos diferentes, cada click é uma surpresa. Muitas dão certo, outras não, outras saem sensacionais. Além de legais, as lomos são muito fofas, cada uma com um estilo e um efeito diferente. Minha primeira paixão foi a La Sardina, que parece uma latinha de sardinhas. Com lentes de flash coloridas, dá para tirar fotos de dupla exposição (foto em cima de foto) bem legais. A maioria delas saem meio desfocadinhas, mas fica um charme, vai! Fora que existem uns filmes especiais que acentuam ainda mais as luzes e cores estouradas das lomos.

Comprei a minha Sardina em Paris quando ainda era meio difícil de achar por aqui, mas hoje já tem à venda alguns modelos no Café Coreto (rua 142, 221, Marista). E elas são bem mais baratas que qualquer digital – além de bem mais divertidas. Depois da primeira paixão, vieram outros amores, como a Diana, que ~~~ganhei~~~ de uma amiga (na verdade, quem ganhou foi meu namorado, mas considero meu por tabela, rs). Apesar de não serem lomos, tenho duas Olympus antigas roubadas da família (estavam esquecidas e abandonadas no armário, oras! E funcionam muito bem!). Mesmo com essa variedade em casa, continuo querendo mais – esse é o mal da lomografia. Queria uma Fisheye e uma Holga (meu aniversário está chegando; tenho que começar a dar indiretas!).

Para quem quer começar a fotografar, mas não sabe por onde começar, existem 10 regrinhas de lomografia que ajudam e muito:
1. Leve a sua câmera onde quer que você vá
2. Use a todo momento – dia e noite
3. A lomografia não é uma interferência na sua vida, é parte dela
4. Tente fotografar de todas as maneiras
5. Aproxime-se dos objetos o mais perto possível
6. Não pense
7. Seja rápido
8. Você não precisa saber antecipadamente o que fotografou
9. Nem depois
10. Não leve à sério nenhuma regra

E, para encerrar, lanço uma campanha: Por um mundo com mais fotos reveladas – lomográficas de preferência!

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casa cor 2014: melhores momentos

♫ Friendly Fires | Paris

Casa Cor dá duas sensações para a classe média: uma de sonhos, contos de fadas e algodão doce; outra de humilhação. É tudo tão lindo e tão chique que volto para casa meio em crise, rs. Mas fazendo a Pollyana, mesmo que eu não seja o público alvo comprador da Casa Cor (não AINDA!), é muito legal visitar o espaço para ampliar o leque de referências, saber o que está em alta em decoração e mudar de ares (a TOK&STOK demora muito para mudar o showroom!). Andar pelos diversos ambientes do lugar ajuda a apurar o olhar e a descobir mais sobre seus gostos pessoais. Depois de ter visitado a edição deste ano uma vez, voltei lá só para fotografar minhas cenas preferidas e compartilhar aqui. Destaque para a parede de canário-rei feita pelo Mateus Dutra e pelo graffiti imenso assinado por Wes, Morbeck e Decy.

O primeiro passo para viver melhor é deixar a sua casa mais bonita e agradável. O dia lá fora já é estressante demais para chegar em casa e não ter nada de lindo para acalmar os nervos. E não precisa gastar muito para ter um lar com cara de lar. Tem plantinhas por aí que não custam mais de R$ 3 😉 Viagens também são boas aliadas para conseguir objetos decorativos diferentes e baratos. No mais, é só deixar a criatividade aflorar. Espero que as fotos abaixo sejam de boa ajuda. Peço desculpas pelo exagero de imagens. Reduzi o máximo que pude, juro!

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cc cream | clinique

♫ Nouvelle Vague | Love will tear us apart

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O CC Cream da Clinique vem fazendo cada vez mais sucesso e há tempos queria testá-lo. Aproveitei que o Caio ia viajar para Buenos Aires sem mim, fiz um drama e deixei claro que minha dor seria minimizada caso os presentes de viagem fossem bons o suficiente (não me orgulho dessa manipulação, mas deu certo! rs). Eis que ganhei este CC Cream, para minha alegria! E olha… Tudo o que dizem a respeito é verdade.

Primeiro: você sabe a diferença entre BB e CC Cream? O nome dos dois já dá uma ideia. BB é de Beauty Balm e reúne vários produtos em um só: hidratante, protetor solar e, em alguns casos, base. Lembra da resenha sobre o BB Cream da M.A.C.? Um dos pontos negativos que ressaltei foi justamente a pouca cobertura dele. A função de base é quase nula. Já o CC é um BB potencializado. Isso porque CC significa Colour Corrector, ou seja, a pigmentação é maior e graças a agentes clareadores e antioxidantes contidos na fórmula, ele ainda corrige manchas e imperfeições da pele. Essa ação, somada ainda à qualidade do hidratante da Clinique, faz com que seu rosto fique bonito mesmo depois de retirado o produto. É visível a diferença do antes e depois.

Outro ponto positivo que a Clinique tem é que todos os produtos são hipoalergênicos. Sofro muito com conjutivite alérgica, principalmente quando passo maquiagem (e nem precisa ser das mais pesadas. Qualquer coisa perto do olho, já deixa aquela vermelhidão). Com este CC Cream, senti o olho irritar muito menos, o que é uma maravilha tanto pela questão física quanto estética.

Só é uma pena o tubinho ter apenas 40 ml. Mal comecei a usar o meu e já estou sofrendo, pensando que vai acabar logo. Para render, estou misturando um pouco do Flash Radiance antes de aplicar. Assim dura mais e ainda fico com pele de porcelana 😉

***UPDATE***

Uma amiga pediu para eu colocar uma foto de antes e depois de passar o CC Cream. Tá aí embaixo! Passei só o CC e mais nada. Dá para ver bem a diferença principalmente nas olheiras.

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feliz aniversário, plus galeria!

 ♫ Rolling Stones | Wild Horses

De uns tempos para cá, Goiânia tem se tornado cada vez mais uma galeria a céu aberto. São tantos graffitis e lambe-lambes legais vistos por aí, tanta cor e beleza, que nosso dia a dia fica até mais leve. Essa contaminação da cidade pela intervenção urbana tem um ponto extremamente positivo que é o de inserir arte na rotina de pessoas que até o momento não se interessavam por ela. Testemunho na cidade um gosto maior e mais aprimorado por arte, uma sede quase que insaciável por ela, e grande parte dessa mudança é de responsabilidade – além dos artistas, claro, que fazem um trabalho excepcional – de um casal que rala muito para colocar um pouco mais de beleza em nossas vidas: Lydia Himmen e Oscar Furtunato, donos da Plus Galeria.

Esse lugar, que acaba de completar 4 anos de vida, é tão especial… Primeiro porque é uma empresa familiar, tocada por pessoas que gostam, trabalham e respiram arte 24 horas por dia. Segundo que as obras – sempre originais – são de tirar o fôlego (acho que minha lista de desejos já beira a loucura, rs.) E terceiro, a Plus faz um trabalho louvável, inovador e sem preconceitos. A obra à venda muitas vezes é a mesma pregada no poste da esquina, acessível a qualquer um que tenha a sensibilidade de notá-la e apreciá-la.

Tenho a impressão que a Plus conseguiu colocar em prática uma ideia que sempre achei importante ressaltar: arte não é para os mais esclarecidos, mais abastados e mais eruditos, muito pelo contrário. A arte é completamente democrática e está aí ao nosso redor, pedindo para ser vista. Arte é para quem quiser. E para quem ainda acha difícil conseguir ter uma obra original pendurada na parede, a Plus facilita ao máximo o pagamento 😉

É tanta coisa boa que vejo a Galeria fazer que não consigo mais pensar Goiânia sem ela. Goiânia também é arte e das boas. Está aí a Plus para provar para quem duvidar. Como comemoração pelos 4 anos, a Galeria lançou uma promoção pelo Instagram. O desafio era fotografar seu próprio acervo ambientado e marcar a hashtag #Plus4anos. Quem ganhar, recebe um vale-compras no valor de R$ 500. Quase morri de emoção. Entrei na jogada e fotografei os meus quadros super engajados na comemoração. Teve até bolo de cenoura, vela, confetes e serpentinas. Obrigada, Plus, por todo o trabalho desenvolvido. Feliz aniversário e muitos, muitos, muitos anos de vida e sucesso. Nós que temos mais a ganhar com isso.

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***UPDATE***

Êeeee!!! Daí que eu ganhei a promoção com a foto do Monk soprando a velinha! Quem julgou e decidiu o vencedor foi o editor da Taschen (fino!) Julius Wiedemann (já pode mandar currículo, será?). Fui hoje – domingo, 25 de março – à galeria escolher minhas obras. Com o valor do prêmio, dava para eu levar duas e inteirar mais um restinho. Empolguei e saí com três debaixo do braço (acho que caí numa armadilha, rs). No começo, ia levar só a Brigitte Bardot do Zé Otávio e uma colagem do Wolney Fernandes, mas quando bati o olho do Edgar Allan Poe do Ramón Rodrigues, foi amor à primeira vista. Não consegui mais ver as outras sem essa xilogravura ao lado e tive – tive! – que levar. O registro está aí embaixo. Olha o quanto minhas novas paixões são fotogênicas ❤

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