amsterdã de bolso

♫ Bob Marley | Catch a fire

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Ah, Amsterdã… Que lugar! É tão lindo, tão artístico, tão libertário, tão elegante, tão charmoso. São tantos os adjetivos positivos que tenho que me segurar para esse texto não ficar meloso demais. Ao invés de ficar babando, prefiro citar alguns fatos históricos para dar mais conscistência à minha paixão.

No fim da Idade Média, época das reformas protestantes, a região dos Países Baixos era uma das poucas na Europa que tinham uma certa liberdade religiosa. Além da disseminação do protestantismo, outras seitas menos conhecidas também eram praticadas por lá. Logo se vê que a preocupação pelas liberdades individuais não é algo recente, muito pelo contrário. A região inteira foi povoada por pessoas que buscavam o direito de viver como bem quisessem. Conforme o tempo foi passando, outras questões polêmicas surgiram, mas sempre pautaram as decisões do país pela liberdade de seus moradores. Por isso hoje se pode fumar maconha, se prostituir, fazer aborto… Se alguém é contra, ok. Mas isso não pode impedir outra pessoa que não seja de exercer suas convicções e direitos. Isso é tão sensacional! Sonho com o dia em que o Brasil será assim (e será! Sou otimista!).

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Engana-se quem pensa que todas essas liberdades fazem de Amsterdã uma baderna. Longe disso. Mesmo com as festas, as pessoas chapadas e bêbadas, é tudo muito organizado e extremamente elegante. Talvez seja a influência artística da região, que também é forte há tempos. Holanda teve movimentos importantíssimos ao longo da história, como o De Stijl liderado por Mondrian, e a Escola de Amsterdã, que produziu uma arquitetura única (é possível reparar das casinhas compridas e totuosas na cidade). Além disso, vários outros artistas bam-bam-bam têm origens holandesas, como Van Gogh e Rembrandt. Isso reflete na quantidade de museus na cidade.

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Mão na massa!
Agora chega de blá blá blá e vamos ao que interessa! Para quem está dando um rolê pela Europa e quer encaixar Amsterdã no roteiro, dois dias são suficientes para sacar o principal do lugar, até porque é uma capital muito pequena. Claro que quanto mais tempo, melhor. Mas na falta dele, dois dias dão conta do recado. Com o roteiro limitado, sugiro escolher só um ou no máximo dois museus para visitar. Há tantos na cidade que existe até uma praça só para eles, chamada Museumplein (onde tem o famoso letreiro Iamsterdam). Nela ficam os principais: Rijksmuseum (arte holandesa), Stedelijk Museum (arte moderna) e Van Gogh Museum.

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De todos eles, eu recomendo MUITO o Van Gogh. É lindo e tem muita coisa, até porque Van Gogh era meio doido e pintou freneticamente durante a vida. A lojinha é uma das mais sensacionais também. Só confira se ele voltou a funcionar na praça, porque estava em reforma (em 2013) e havia sido transferido para um outro museu da cidade. Para quem gosta de visitar casas de personalidades conhecidas, tem a do Rembrandt e a da Anne Frank. Essa última tem a maior fila da cidade inteira, maior do que qualquer museu, inclusive. Analise seu tempo e sua vontade para ver se compensa.

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Andar, andar e andar – ou pedalar!
Dá para conhecer o centro e os bairros ao redor todos a pé, mas você também pode alugar uma bicicleta e se aventurar pela cidade mais ciclista do mundo. As estatísticas são surpreendentes: praticamente uma bike para cada habitante. Todos pedalam. E aquela canseira que temos no Brasil de achar estacionamento para o carro, lá a canseira é achar um lugar onde amarrar a bicicleta, rs. Os bicicletários mais populares são imensos, com mais de um andar, e sempre lotados. Filhos pequenos não atrapalham em nada o transporte dos pais, que levam os pimpolhos em uma espécie de carroceria acoplada à bike. Mais uma vez: um sonho que há de se tornar realidade por aqui! As empresas mais famosas de aluguel são a Yellow Bike e a Mac Bike.

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Markets
Como toda cidade europeia, há vários mercados de rua na capital holandesa, cada um mais interessante que o outro. Os dois que mais gostei foram o de flores (que fica bem no centro do centro – no Sigel – e tem várias sementinhas que dá para trazer de souvenir) e o de antiguidades (Waterloomarkt, que na… adivinhe! Waterlooplein, rs. Funciona de segunda a sábado, das 9h às 17h30). Outro mercado que bomba muito é o Albert Cuyp. Esse é mais tradicional e dá para encontrar de tudo um pouco, desde peixes, verduras a roupas e bugigangas. O que acho mais legal dele é o bairro onde fica: De Pijp, habitado em sua maioria por estudantes e artistas.

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Agora, já que é para falar de bairro sensacional, dê um jeito de encaixar no roteio uma andada, mesmo que rápida, pelo Jordaan. É um lugar residencial, mas as casas são de babar, geralmente abertas e separadas da rua por uma parede de vidro. Sim, vidro. Você passa na porta e dá para ver tudo o que se passa lá dentro: a mãe dando comida para o filho, as amigas batendo papo na sala… Acho um tapa na cara de quem é acostumado a viver sempre fechado e trancado. Dá até uma dor no coração e uma vontade de juntar os trapos e mudar para lá. Afoguei todas as mágoas em uma cervejaria nos arredores.

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Comer, beber etc.
Aliás, se jogue nas cervejarias. E por favor, nada de Heineken, hein! Isso você toma aqui! Sabe aquelas cervejas que custam R$ 40 uma garrafinha de 350 ml? Pois é. Lá elas custam € 3. Sério! E há várias cervejarias centenárias e aconchegantes espalhadas pela cidade toda. Não vai ser difícil de encontrar. Entre em todas que pintarem no caminho e aproveite. Mas se você não curte muito cerveja e prefere um café, daqueles típicos holandeses, sabe? Recomendo o Greenhouse. Apesar de famoso, ele não é tão espalhafatoso e brega quanto os outros. O mais engraçado é ver o mural de celebridades que já passaram pelo local: Rihanna, Snoop Dog… Só gente boa! rs.

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Para um jantarzinho romântico (alô, Lilian!), o Café Bern é um ótimo lugar, mas tem que fazer reserva (nenhum bicho de sete cabeças. Só pedir para ligar do lugar onde está hospedado e arranhar no inglês). Lá é servido um dos fondue mais tradicionais da cidade, acompanhado de uma carne sensacional. Acho que essa vai ser a melhor refeição que você irá fazer na cidade, já que os holandeses são péssimos para comer e se dão por satisfeitos com uma porção de batata frita com maionese.

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Sabe o guiazinho de bolso que indiquei para Londres? O de Amsterdã também é ótimo, mas o meu ficou na casa da mamãe, do outro lado do Atlântico. Ele indica várias casas noturnas (a cidade tem uma noite mega agitada). Como minha passagem por lá foi no início da semana, não consegui curtir a bombação de sexta e sábado, então não tenho nada para indicar nesse quesito 😦 Mas um dia volto e escrevo mais a respeito! Enquanto isso, compre o guiazinho (é bem barato) e seja feliz. Ou não compre e seja feliz também! Não tem como uma viagem dar errado em Amsterdã. Quer dizer, tem, mas é só pegar leve no café!

*Fotos tiradas com minha câmera La Sardina #lomography

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