e assim seguiremos…

♫ Fela Kuti | Coffin for head of state

Sei que estou atrasada na postagem, mas é que hoje foi um dia importante para eu estar nas ruas. Sinto no Brasil uma atmosfera tensa, como se fosse uma bolha prestes a explodir (e vai explodir a qualquer momento). A verdade é que governos agressivos geram uma sociedade tão agressiva quanto. Por isso se vê tantos protesto em todas as cidades do país. Nada mais natural. Acho que demorou até demais para a panela de pressão estourar. Só faltava uma chacoalhada, que veio em forma de Copa do Mundo. Tudo bem que o evento é uma festa, que o Brasil é o país do futebol, mas trazer os jogos para cá mostra o total descaso do governo com a população. Isso porque tudo é bancado com dinheiro público (muito dinheiro público) e nada é para nós. Essa Copa não é para os brasileiros. Não nos beneficiaremos em nada com ela, aliás, só estamos nos ferrando com isso.

Vemos uma supervalorização bizarra das coisas em todas as cidades-sede e seguimos sem investir em setores básicos para atendimento da população. Cadê os aumentos salariais dos profissionais da educação? Cadê mais escolas de qualidade? E uma merenda saudável, infra-estrutura e inclusão social? Cadê pacientes bem atendidos nos hospitais públicos? Cadê ônibus que atendam todos os usuários com eficiência? Cadê? Cadê investimento no Serviço Social e em Direitos Humanos? Cadê? Está tudo nos estádios lindos e pomposos que foram reconstruídos e reformados para um mês de evento. Tudo isso para que grandes empresários e péssimos políticos se beneficiem com o dinheiro que deveria ser investido no nosso presente e futuro.

Essa Copa era o que faltava para tudo explodir. As manifestações e protestos são legítimos. Eles defendem a população, pedem por dias melhores. E o que o governo faz para se resguardar é lidar como se todos os manifestantes fossem bandidos e vândalos. Prendem inocentes, torturam militantes, fazem todo um teatro para que a sociedade também veja tudo com maus olhos. Parece familiar essa história, não é? Pois tudo aconteceu do mesmo jeito na época da ditadura militar (prenderam três líderes estudantis! São presos políticos?). Também aconteceu durante a Revolução Francesa e várias outras revoluções que mudaram a história. Quando o governo não escuta nossas súplicas, é preciso recorrer a métodos mais eficientes para sermos ouvidos. O grito está correndo por aí; está nas ruas do Rio, de São Paulo, de Goiânia.

Hoje à tarde participei da manifestação que partiu da Praça Universitária (palco de tantos outros protestos na história) e foi até o Fórum de Justiça entregar um abaixo assinado de mais de 1.500 assinaturas contra a criminalização das manifestações (é um direito do povo!) e pela soltura dos três estudantes presos: Ian, Heitor e João Marcos. Prendê-los a poucos dias da Copa não foi uma coincidência? Foi uma tentativa de intimidação que não deu certo? A insatisfação segue forte e presente. Podem até tentar segurar a correnteza, mas um dia a barragem arrebenta. E esse dia já chegou. Quinta-feira tem outra manifestação marcada para às 9h, em frente a Catedral da rua 10. Na terça, quando a Seleção Brasileira estará na cidade para um amistoso, mais um protesto será feito. E assim seguiremos até conseguirmos sermos ouvidos e, acima de tudo, atendidos.

manifestação1

manifestação2

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manifestação4

manifestação5

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manifestação7

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