sabadão no centro (ou: meu programa preferido)

♫ Cérebro Eletrônico | Não bateu

Nesse fim de semana, encontrei com um amigo de São Paulo que há tempos não via e naquele papo “o que você anda fazendo da vida?” falei do blog. Na tentativa de explicar o meu objetivo, ele teve uma sacada que nem eu mesma tinha pensado. “Você vive sua cidade como se fosse turista”, ele disse. Nenhuma outra definição fez tanto sentido. Estou até pensando em incluí-la no meu about. Meu intuito com esse espaço é exatamente esse: olhar a minha própria cidade com olhos de turista, olhos estranhos e curiosos. Turista sempre aproveita melhor o lugar do que os próprios moradores.

Lembro da primeira vez que fui a São Paulo e comentei com um paulistano que queria ir ao Mercado Municipal. Ele disse que nunca tinha ido. Também fiquei sabendo que minha amiga Lílian (oi!), carioca da gema, nunca foi ao Pão de Açúcar nem ao Cristo Redentor (não posso falar nada, na verdade. Fui ao Rio mil vezes só no semestre passado e nem pensei visitar esses lugares, rs. Mas enfim! Não sou carioca. Fiz meu ponto!). Algumas coisas estão aí para serem aproveitadas, mas acabam sendo ignoradas pelo nosso olhar de morador. Driblar isso e tentar ver tudo de um jeito diferente é resultado de um exercício diário, e é incrível o quanto essa prática melhora sua qualidade de vida, por mais simples que pareça ser.

Um bom exemplo disso é meu passeio preferido de sábado. Esse dia, geralmente reservado para a preguiça, virou um dos mais ativos e legais da minha semana. Acordo cedo e vou para a feirinha de orgânicos do Mercado da 74. Ver folhas verdes e frutas frescas é quase uma versão pocket de uma escapada para o mato. Comprar um ramo de coentro perfumado está praticamente no mesmo patamar de fazer uma trilha pequena nos arredores da cidade, rs. A sensação de tranquilidade é quase a mesma.

Depois de abastecer a sacola de feira, escolho algum lugar para fazer um lanche. No sábado passado foi a vez dos Biscoitos Pereira (rua 55, 458), o pão de queijo mais tradicional da cidade. Para quem nunca foi, não adianta chegar em pedir quantidade x do carro chefe da casa, porque o atendente sempre vai trazer um prato cheio, com mais quantidade do que foi pedido. Mas relaxe! Eles só cobram o que você comer (quer apostar que vai comer tudo?). Os bules de cobre também são demais. Eu sei que tem outras unidades da lanchonete espalhadas por Goiânia inteira, mas é só na do Centro que o pão de queijo custa R$ 1 (fora que é muito mais legal ir na original!).

Além dos Biscoitos J. Pereira, há vários outros lugares gostosos, tradicionais e baratinhos para fazer uma boquinha. Uma empada do Mercado Central sempre vai bem, assim como qualquer salgado da Esfirra Quente (rua 4, 731). Esta última lanchonete já tem uma localização privilegiada para o próximo passo do tour central: visita aos sebos da região 😉 A maioria deles está localizada na própria rua 4, mas o meu preferido fica na Avenida Goiás: Opção Cultural. Lá os discos são legais e por um preço justo (outros sebos da região estão abusando da boa vontade do consumidor).

Dessa última vez, meu maior achado não foi musical, mas literário. Aliás, livros usados são outra paixão que tenho. Como a rotatividade é grande, sempre se acha coisa muito boa pela metade do preço das grandes livrarias. Há tempos estava de olho em um dicionário Cambridge inglês-inglês mega-power-advanced, mas ele custava apenas R$ 140. Achei no Opção Cultural por R$ 85, chorei um desconto e levei por R$ 65! Qualquer dúvida de inglês, a partir de agora, pode me procurar! Tenho o ouro nas mãos 😉 E depois de tudo isso, voltei para casa com verduras orgânicas, a barriga cheia de pão de queijo, discos e um dicionário completíssimo debaixo do braço. Sabadão produtivo!

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