alô, amantes de música e história do Brasil!

♫ Caetano Veloso | Tropicália

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Está rolando uma exposição super legal no Museu dos Correios: A música canta a República, que fica em cartaz até 24 de janeiro e tem entrada gratuita. A proposta, elaborada pelo jornalista Franklin Martins, é destacar músicas que, ao longo de um século, foram compostas no calor de acontecimentos históricos importantes do país. O recorte parte de 1902, quando surgiu a primeira gravadora de discos do Brasil, a lendária Casa Edson, que ficava na minha querida Rua do Ouvidor, no Rio de Janeiro. Na época, as cançonetas, no maior estilo das chançonettes francesas, eram o gênero mais gravado e eram usadas como forma de satirizar a República recém-instituída. Revoltas sociais, como as da Vacina e da Chibata (saravá, João Cândido!) foram temas de algumas das canções do momento, assim como os absurdos da República do Café com Leite e os movimentos contestatórios, como a Coluna Prestes. Modas de viola também ganharam gravações e o samba, com a popularização do carnaval, foi cada vez reinando mais entre os lançamentos da Casa Edson. Na década de 1910, as marchinhas foram responsáveis por 40% das gravações.

A década de 30 trouxe várias mudanças, começando com o fim da República Velha e o início da Era Vargas. Também surgiram métodos elétricos de gravações, responsáveis pela abertura de outras gravadoras no país e pelo consequente aumento dos lançamentos anuais. Foram várias as canções que cantaram a esperança e a posterior desilusão com relação a Getúlio Vargas, que exaltaram os pracinhas enviados para a Guerra, que criticaram a censura getulista e depois pediram de novo o “velhinho” no poder. Depois disso… bem, a história é longa: presidentes depostos, vices assumindo, mudança de capital, golpe militar, período de ferro, torturas, censuras, exílios, redemocratização… Redemocratizamos de fato? Ou melhor, alguma vez chegamos a democratizar? Ao longo de décadas a história do país foi sofrida, mas também foi cheia de poesia, e poesia política, que mobiliza e provoca mudanças importantes na realidade social. Não quero falar demais para não tirar a graça da exposição. Tem muita informação, muita música e muitas fotografias de arrepiar, especialmente do período ditatorial (tem até uma reprodução lindíssima que o artista Gurulino fez a giz daquela foto famosa do Teatro Opinião). Incrível como às vezes a história parece se repetir… É por isso que é tão importante sabermos nosso passado. Só assim evitamos repetir os mesmos erros.

Cola lá!
A música canta a República
Museu dos Correios – Setor Comercial Sul, Qd. 4, Bl A, nº 256
Até 24 de janeiro
Entrada franca

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