Feriado, celebração (ou: Mapa do tesouro)

♫ Mayra Andrade | Comme s’il en pleuvait

Quando vivemos em uma cidade, nosso corpo se acostuma a ser acostumado. Não temos o brilho nos olhos nem a empolgação de turistas, trocamos passeios nos dias de folga por séries do Netflix, não celebramos mais os pequenos tesourinhos que as ruas podem esconder, não acordamos cedo para aproveitar melhor o dia. A inércia é forte, mas às vezes a felicidade consiste justamente em sacudir esse marasmo e se propor à novidade (mesmo que a novidade não seja tão nova assim, mesmo que seja só um detalhe que estava de escanteio).

Quer dar uma curtida na cidade? Pergunte-me como 😉 Quem me acompanha por aqui sabe que uma das minhas coisas preferidas é sair por aí com olhar de turista sobre minha própria cidade. Incrível como um passeio simples pode melhorar a vida. No último feriado, fiz um roteiro que gostei demais e compartilho aqui com você. Depois me contaria o que achou?

❤ Ponto de partida: almoço no restaurante Naturetto da 405 Norte – Sou dessas que, se tivesse demorado mais meio-minuto para nascer, nasceria hippie. Como gosto de coisas naturebas e um mato. Sou carnívora convicta, mas me chama pra um almoço vegetariano e vou feliz e saltitante, me sentindo uma pessoa melhor no mundo. Antes que outras carnívoras também torçam o nariz para essa minha sugestão, logo digo que o Naturetto serve peixes assados deliciosos, então não é de todo vegetariano. As opções de salada são incríveis e ainda tem uma torta de banana assada que vale cada centavo. Acredite em mim: você vai se sentir muito bem depois que as vitaminas do broto de alfafa fizerem efeito no corpo, rs. Além disso, o ambiente todo arborizado e com mesas de madeira também já te deslocam para uma mini-viagem campestre.

❤ Próximo passo: sobremesa na sorveteria Sorbê, ao lado do Naturetto. Amiga, tem sorvete de pitanga e o melhor pistache que já provei. Sem mais argumentos.

Caminhada até a UnB: outro ponto positivo de comer em restaurante natureba é que, não importa o quanto você se empanturre, uma tonelada de folha de mostarda não se equivale a um quilo de torresmo, então você vai se sentir ainda disposta a se movimentar por aí. Depois da comida gostosa, desça reto em direção à UnB. Como eu gosto de campus universitário! Só de ver os prédios já me anima, me sinto mais inteligente. Vá para lá em direção ao Instituto de Artes (Ida), veja os azulejos exclusivos do Athos Bulcão, veja as pichações militantes, respire um pouco de juventude e progressismo e espere a van gratuita para o CCBB. Se você estiver na mesma pilha que eu estava, poderia considerar levar uma garrafa de vinho branco gelada na bolsa para ir bebendo neste trajeto. Ficar sentada na frente do Ida esperando a van do CCBB e bebendo vinho… poderia ser um passeio em Paris, não fosse o sol de 40 graus.

Van gratuita para o CCBB: vamo repetir? É gratuita! Não tem desculpa nenhuma para não ir pro CCBB. Você pode conferir os horários da van aqui.

CCBB: mais conhecido como Parque de Diversões das Cult. Lá tem de tudo: exposição de arte, teatro, mostras de cinema, café, gramado, vista linda para a ponte JK, vista linda para o pôr-do-sol, museu do Banco do Brasil… E a maior parte dessas coisas é de graça. Fala sério. Dê uma olhadinha na programação aqui e aproveite. Às vezes até rola meditação na lua cheia, shows e outros eventos especiais.

❤ Volta do CCBB na van gratuita: parada no Teatro Nacional.

❤ Depois de parar perto da Rodoviária, caminhe até ela e encerre seu dia com o pastel mais gostoso de Brasília: Pastelaria Viçosa. Peça um caldo de cana gelado também 😉 E não se esqueça de dar aquela namorada básica na vista para a Esplanada.

Mostra de cinema nórdico

stockholm_stories_poster

Quer um programão 0800 para os próximos dias? Anote então na agenda: Mostra de cinema nórdico do CCBB, que é gratuita e traz diversos filmes produzidos recentemente na Suécia, Finlândia, Noruega e Dinamarca. Com início nesta quarta-feira (23/11), a mostra dura até 5 de dezembro. Confira a programação completa aqui.

Da lista grande de filmes, selecionei seis que mais me animaram para compartilhar aqui: Não chore por mim (Suécia); Helsinque, para sempre (Finlândia); Histórias de Estocolmo (Suécia); Corações Valentes (Noruega); O Hotel (Suécia) e O Amante da Rainha (Dinamarca). A sinopse desses filmes estão no link da programação. Depois conto aqui o que achei dos filmes que eu assistir 🙂

Nos vemos lá?

Mac DeMarco 0800

maxresdefault

Um dos meus cantores preferidos dos últimos tempos faz show de graça hoje no Parque da Cidade, como parte da programação do Picnik. Mac DeMarco já passou por São Paulo e Rio de Janeiro e, por lá, os ingressos custaram um rim. Por aqui, vai ser de graça! O canadense tem cinco discos no currículo. Apesar de o meu preferido ser Salad Days, fiz uma playlist com um apanhado geral para já ir esquentando. Bora lá? É às 18h30!

programão: cine drive-in

♫ Cordel do Fogo Encantado | O amor é filme

cine drive-in

Recebi um convite inusitado para um sábado à noite esses dias: “Bora pro Cine Drive-in?” E eu, que estava esperando a vida me trazer uma surpresinha para o dia, aceitei o presente e fui, toda animada com oportunidade. Até o momento, eu era virgem de Drive-in, confesso. Estava um pouco nervosa, ansiosa… mas já tinha visto na televisão como era e me deixei levar pelo ritmo lento das coisas. A noite estava bonita, o parceiro era legal (amigo já de alguns anos, alguém que eu confiava), fomos devagar, respeitando o tempo de cada um (o nosso e o do cinema, no caso). Quando mal esperei, aquela sensação boa me invadiu e, de repente, fiquei apaixonada. Não quero mais saber de nenhum outro cinema. Só tenho olhos para o Drive-in ❤

O lance é que toda a atmosfera do lugar te envolve de tal forma que não tem como não se render aos encantos dele. Parece que, logo que se chega à entrada, se atravessa um portal que te transporta para um filme americano dos anos 80. “Você pode desligar o farol?”, pergunta o atendente. Ele cobra sua entrada e te dá um cardápio que, além de sanduíches e batata frita, tem cerveja! Cerveja no cinema! Fala sério… Só amor.

Adoro muito cinema. Desde pequena costumo acompanhar meus pais em sessões diversas, tanto em casa quanto em salas comerciais. Cresci vendo e imitando as travestis de Almodóvar (e como diz meu pai, por isso que me tornei essa menina saudável, engajada nas boas causas… hahaha); cresci frequentando mostras independentes, vendo filmes pesados (alô, Saló!) e comedinhas hollywoodianas também (ninguém é de ferro, rs). Na minha adolescência em Goiânia, rolava uma mostra muito legal chamada 8 pras 11 (oi, Hélio Neiva!), que começava a exatos 8 minutos para às 11h da noite e varava a madrugada com uns filmes difíceis de alugar por aí (na época, download era para poucos, rs). Essa mostra e outras que rolavam no Cine Ouro (cineminha pequeno do Centrão) moldaram meu caráter (que perigo!). Devo muito de quem eu sou hoje ao cinema ❤

Maaass… De uns tempos para cá, ando desgostosa de ir ao cinema. É sempre barulhento, cheio de pessoas que deixam o celular tocar nas horas inapropriadas, o espaço é pequeno (tenho 1,78m de altura. Preciso de espaço para as pernas!). Daí que ir ao Cine Drive-in me abriu todo um universo novo. Primeiro que, como cada um fica no seu carro, há uma privacidade sensacional! Você não escuta a conversa alheia e pode conversar à vontade sem se preocupar com o coleguinha do lado. Você regula a cadeira do carro do jeito que quiser e o áudio, que era uma dúvida minha com relação ao drive-in, é feito via rádio. Você tem que sintonizar na frequência deles lá e pronto! Som que você regula o volume 🙂 Muita qualidade de vida. Aí vem o plus… Tem lanchonete e garçom, que te atende quando você liga o farolete do carro, hahaha. O pedido chega na bandejinha, igual aos filmes americanos (só faltou o garçom atender de patins). E vamos só relembrar que tem cerveja! Sensacional.

E para quem ainda não assistiu ao filme da Anna Muylaert, Que horas ela volta?, com a Regina Cazé e a Camila Márdila, CORRÃO que ainda está em cartaz no Drive-in 🙂 A produção é muito foda (não vou ser spoiler. Só confia e vai lá ver) e está fazendo o maior sucesso aqui e lá fora. Os pais do meu padrasto, que moram no interior do interior da Suíça, assistiram o filme lá antes mesmo de chegar ao Brasil e ficaram encantados. Falaram bem, fizeram propaganda… Não pode ficar sem ver. Ganhou prêmio em Sundance e em Berlim. É cheio de discussões de classe na contemporaneidade, sem perder a questão humanista e afetiva. É tudo o que digo. Ó o trailer:

Bom filme! 🙂

Colá lá!
Cine Drive-in
Área Especial do Autódromo – Centro Desportivo Presidente Médice – Asa Norte
Ingressos:
De 2ª a 5ª – R$ 20 (inteira) e R$ 10 (meia)
De 6ª a domingo e feriados – R$ 22 (inteira) e R$ 11 (meia)

retrospectiva de Godard no CCBB

♫ Mutantes | Le premier bonheur du jour

godard

Godard é um cineasta polêmico. Ou se gosta, ou se detesta. Não que seus filmes tratem de assuntos que causem discordâncias (alguns sim, nem todos), mas porque alguns deles podem ser realmente difíceis de assistir. Difíceis no sentido de romper com aquilo que nosso cérebro espera de uma narrativa cinematográfica. Nosso olhar foi (e continua sendo) domesticado por Hollywood, que nos apresenta sempre fórmulas prontas, historinhas mastigadas e, claro, uma recompensa moral. Mas Godard, como um dos nomes do movimento Nouvelle Vague que rolou na França na década de 1960, buscava ir além da receita hollywoodiana uniformizada. Ele buscava um cinema de autor. E que autor! Junto com Truffaut – que também foi seu “coleguinha” de movimento -, Godard é um dos meus cineastas preferidos. Talvez eu tenha herdado isso de família… Quando eu era criança, tivemos um boxer durante anos que se chamava Jean-Luc Gordard. Godard, para os íntimos, rs.

Daí que agora, próximo à data que o cineasta completaria 85 anos, o CCBB realiza essa mostra que conta com produções diversas, algumas nunca antes exibidas no país. São Paulo e Rio também terão essa alegria de viver até fins de novembro. De toda a programação, que pode ser conferida abaixo e também no site do CCBB (lá tem as sinopses!), eu destacaria Acossado, de 1959 (passou ontem, na abertura da mostra, e não vai repetir mais… Nem tudo é perfeito…); Uma mulher é uma mulher, de 1961 (passa hoje às 19h! CORRÃO!); Alphaville, de 1965 (um clássico; também passa hoje às 21h); Uma mulher casada, de 1964; e Adeus à linguagem, último filme dele, lançado em 2014. O mais incrível é que a maioria das exibições será em película! E os ingressos custam só R$ 4. É muita emoção ❤

Bora lá treinar o francês e discutir alguns temas que ele traz em suas obras! Aliás, amanhã tenho prova de francês e vai ser bom dar uma praticada na escuta hahaha. Feminismos, conspirações, liberdades podadas… Até o fim da mostra, teremos muitos assuntos interessantes. Godard est très super! On y va?

acossadoCena de Acossado (1959)

Programação
>> 21 de outubro – quarta-feira
19h Deux ou trois choses que je sais d’elle (Duas ou três coisas que eu sei dela)
21h À bout de souffle (Acossado)

>> 22 de outubro – quinta-feira
19h Une femme est une femme (Uma mulher é uma mulher)
21h Alphaville. Une étrange aventure de Lemmy Caution (Alphaville)

>> 23 de outubro – sexta-feira
19h Une femme coquette (Uma mulher faceira)
19h Vivre sa vie (Film en douze tableaux) (Viver a vida)
20h50 Le mépris (O desprezo)

>> 24 de outubro – sábado
17h Les carabiniers (Tempo de guerra)
17h Le petit soldat (O pequeno soldado)
20h45 Pierrot le fou (O demônio das onze horas)

>> 25 de outubro – domingo
17h Masculin féminin. Quinze faits précis (Masculino, feminino)
19h15 Made in USA
21h Opération béton (Operação concreto)
21h Tous les garçons s’appellent Patrick (Charlotte et Véronique) (Todos os rapazes se chamamPatrick (Charlotte et Véronique))
21h Une histoire d’eau (Uma história de água)
21h Charlotte et son Jules (Charlotte e seu namorado)

>> 26 de outubro – segunda-feira
19h Pierrot le fou (O demônio das onze horas)
21h15 Les carabiniers (Tempo de guerra)

>> 28 de outubro – quarta-feira
19h Le mépris (O desprezo)
21h Vivre sa vie (Film en douze tableaux) (Viver a vida)

>> 29 de outubro – quinta-feira
19h Deux ou trois choses que je sais d’elle (Duas ou três coisas que eu sei dela)
20h50 One plus one (Um mais um)

>> 30 de outubro – sexta-feira
19h Ciné-tracts (Cine-panfletos)
19h Pravda
21h Le grand escroc (O grande trapaceiro)
21h Le nouveau monde (O novo mundo)
21h Montparnasse – Levallois. Un action film (Montparnasse – Levallois. Um filme-ação)
21h L’amore (O amor)

>> 31 de outubro – sábado
17h La chinoise (A chinesa)
19h Week-end (Week-end à francesa)
21h Le gai savoir (A gaia ciência)

>> 1º de novembro – domingo
17h Un Film comme les autres (Um filme como os outros)
19h Une femme mariée (Uma mulher casada)
20h50 Anticipation ou L’amour en l’an 2000 (Antecipação ou o amor no ano 2000)
20h50 Bande à part (Banda à parte)

>> 2 de novembro – segunda-feira
18h30 La paresse (A preguiça)
18h30 Vent d’est (Vento do leste)
20h40 Letter to Jane: An Investigation about a Still (Carta para Jane)
20h40 British Sounds

>> 4 de novembro – quarta-feira
19h Le Gai Savoir (A gaia ciência)
21h Week-end (Week-end à francesa)

>> 5 de novembro – quinta-feira
10h Curso com João Lanari
19h Une femme mariée (Uma mulher casada)
21h La Chinoise (A chinesa)

>> 6 de novembro – sexta-feira
10h Curso com João Lanari
19h Vladimir et Rosa (Vladimir e Rosa)
21h Luttes en Italie (Lutas na Itália)

>> 7 de novembro – sábado
17h Tout va bien (Tudo vai bem)
19h Caméra-oeil (Câmera-olho)
19h Ici et Ailleurs (Aqui e acolá)
20h30 Clip Faut pas rêver / Quand la gauche aura le pouvoir (Quando a esquerda chegar ao poder)
20h30 Numéro deux (Número dois)

>> 8 de novembro – domingo
17h Comment ça va? (Como vai você?)
19h Sauve qui peut (la vie) [Salve-se quem puder (a vida)]
21h Passion (Paixão)

>> 9 de novembro – segunda-feira
19h Scénario de Sauve qui peut (la vie) (Roteiro de Salve-se quem puder (a vida))
19h Passion, le travail et l’amour: introduction à un scénario, ou Troisième état du scénario du film Passion (Paixão, o trabalho e o amor: introdução a um roteiro, ou Terceiro estado do filme Paixão)
19h Scénario du film Passion (Roteiro do filme Paixão)
21h Lettre à Freddy Buache. À propos d’un court-métrage sur la ville de Lausanne (Carta a Freddy Buache. Sobre um curta-metragem a respeito da cidade de Lausanne)
21h [Espoir/Microcosmos] (Esperança/Microcosmo)
21h Pour Thomas Wainggai (Por Thomas Wainggai)
21h L’enfance de l’art (A infância da arte)
21h Soft and Hard

>> 11 de novembro – quarta-feira
19h Numéro deux (Número dois)
21h Tout va bien (Tudo vai bem)

>> 12 de novembro – quinta-feira
19h Passion (Paixão)
21h Sauve qui peut (la vie) [Salve-se quem puder (a vida)]

>> 13 de novembro – sexta-feira
18h50 France tour détour deux enfants (episódios 1 a 4)
20h50 France tour détour deux enfants (episódios 5 a 8)

>> 14 de novembro – sábado
15h France tour détour deux enfants (episódios 9 a 12)
17h Histoire(s) du cinéma (História(s) do cinema) (episódios 1A e 1B)
19h Debate com Alex Vidigal e Pablo Gonçalo

>> 15 de novembro – domingo
17h Histoire(s) du cinema (História(s) do cinema) (episódios 2A, 2B e 3A)
19h Histoire(s) du cinema (História(s) do cinema) (episódios 3B, 4A e 4B)
20h50 Six fois deux (Sur et sous la communication) (Seis vezes dois: sobre e sob a comunicação) (episódios 1A e 1B)

>> 16 de novembro – segunda-feira
18h50 Six fois deux (Sur et sous la communication) (Seis vezes dois: sobre e sob a comunicação) (episódios 2A e 2B)
20h50 Six fois deux (Sur et sous la communication) (Seis vezes dois: sobre e sob a comunicação)(episódios 3A e 3B)

>> 18 de novembro – quarta-feira
18h50 Six fois deux (4A e 5B) Six fois deux (Sur et sous la communication) (Seis vezes dois: sobre esob a comunicação) (episódios 4A e 4B)
20h50 Six fois deux (Sur et sous la communication) (Seis vezes dois: sobre e sob a comunicação)(episódios 5A e 5B)

>> 19 de novembro – quinta-feira
18h50 Six fois deux (Sur et sous la communication) (Seis vezes dois: sobre e sob a comunicação)(episódios 6A e 6B + episódio cortado)
21h10 Prénom Carmen (Carmen de Godard)

>> 20 de novembro – sexta-feira
19h Petites notes à propos du film Je vous salue, Marie (Pequenas notas sobre o filme Eu vos saúdo, Maria)
19h Je vous salue, Marie (Eu vos saúdo, Maria)
21h Détective (Detetive)

>> 21 de novembro – sábado
17h Dans le noir du temps (No breu do tempo)
17h Ecce homo (Eis o homem)
17h Moments choisis des Histoire(s) du cinéma (Momentos escolhidos de História(s) do cinema)
19h Meetin’ WA (Encontrando WA)
19h Puissance de la parole (Potência da palavra)
19h Le rapport Darty (O relatório Darty)
19h Grandeur et décadence d’un petit commerce de cinéma révélées par la recherche des acteurs dans un film de télévision publique d’après un vieux roman de J. H. Chase (Grandeza e decadência de um pequeno negócio de cinema reveladas pela pesquisa dos atores em um filme de televisão pública segundo um velho romance de J. H. Chase)

>> 22 de novembro – domingo
17h Je vous salue, Sarajevo (Eu vos saúdo, Sarajevo)
17h For ever Mozart (Para sempre Mozart)
18h45 JLG/JLG. Autoportrait de décembre (JLG/JLG: autorretrato de dezembro)
18h45 2×50 ans de cinéma français (2×50 anos de cinema francês)
18h45 Adieu au TNS (Adeus ao TNS)
18h45 Publicidades
18h45 Les enfants jouent à la Russie (As crianças brincam de Rússia)

>> 23 de novembro – segunda-feira
19h Changer d’image. Lettre à la bien-aimée (Mudar de imagem. Carta à bem-amada)
19h King Lear (Rei Lear)
21h Grandeur et décadence d’un petit commerce de cinéma révélées par la recherche des acteurs dans un film de télévision publique d’après un vieux roman de J. H. Chase (Grandeza e decadência de um pequeno negócio de cinema reveladas pela pesquisa dos atores em um filme de televisão pública segundo um velho romance de J. H. Chase)

>> 25 de novembro – quarta-feira
17h50 Soigne ta droite ou Une place sur la terre (Atenção à direita)
19h30 Hélas pour moi (Infelizmente para mim)
21h10 Armide
21h10 Le dernier mot / Les Français entendus par (A última palavra)
21h10 Allemagne neuf zéro (Alemanha nove zero)

>> 26 de novembro – quinta-feira
17h45 King Lear (Rei Lear)
19h30 Nouvelle Vague
21h15 De l’origine du XXIe siècle (Da origem do século XXI)
21h15 The old place (O velho lugar)
21h15 Liberté et patrie (Liberdade e pátria)

>> 27 de novembro – sexta-feira
17h Une bonne à tout faire (Uma empregada que faz tudo)
17h Prière pour refusniks (Prece para refusniks)
17h Reportage amateur (Maquette expo) (Reportagem amadora [Maquete da exposição])
18h30 Sauve qui peut (la vie) [Salve-se quem puder (a vida)]
20h30 Palestra com Michael Witt

>> 28 de novembro – sábado
17h Une catastrophe (Uma catástrofe)
17h C’était quand / Il y avait quoi (hommage à Éric Rohmer) Era quando / Havia o que(homenagem a Éric Rohmer))
17h Khan Kahnne
17h Prix suisse, remerciements, mort ou vif (Prêmio Suíço, agradecimentos, morto ou vivo)
17h Vrai faux passeport (Passaporte verdadeiramente falso)
19h Le pont des Soupirs (A ponte dos suspiros)
19h Notre Musique (Nossa música)
21h Plus OH! (Mais Oh!)
21h Éloge de l’amour (Elogio ao amor)

>> 29 de novembro – domingo
17h Film Socialisme (Filme socialismo)
19h Les trois desastres (Os três desastres)
19h Adieu au langage (Adeus à linguagem)
21h Notre Musique (Nossa música)

>> 30 de novembro – segunda-feira
17h Éloge de l’amour (Elogio ao amor)
19h Adieu au langage (Adeus à linguagem)
20h30 Le Mépris (O Desprezo)

Veja as sinopses no site do CCBB 😉

Cola lá!
Retrospectiva de Jean-Luc Godard
Centro Cultural Banco do Brasil
Até 30/11
R$ 4 (inteira) / R$ 2 (meia)

últimos dias de Debret no Museu dos Correios

♫ Baden Powell | Canto de Xangô

acoite

Uma das (várias) coisas incríveis de Jean-Baptiste Debret é sua capacidade de abarcar tanto o público-rato-de-museu quanto aquela parcela da população não muito fã de artes plásticas. Isso acontece porque o artista, apesar de francês, faz parte da história do nosso país, ou melhor, da construção da história do nosso país. Depois da mudança da família real portuguesa para o Brasil, em 1808, nossa terra tupiniquim passou por mudanças grandes em um curto espaço de tempo. Além das construções de infraestrutura, criação de novos bairros, iluminação pública etc., é dessa época também a abertura da Biblioteca Nacional, o surgimento da imprensa no país e a chegada da Missão Artística Francesa, da qual fazia parte Debret.

Ele, que na Europa já frequentava as cortes reais, veio para o Brasil contratado pela coroa portuguesa para regitrar o cotidiano da nova cidade que se formava. Debret chegou pelo mar no Rio de Janeiro em 1816 e por lá ficou seus 15 anos seguintes. Entre todas as técnicas que dominava, escolheu a aquarela para retratar cenas rotineiras, paisagens pitorescas, funerais, celebrações, vestimentas, mapas da cidade etc. O traço delicado e as pinceladas aquareladas derretem o coração de qualquer um, por mais cético que seja.

debret-Negra-tatuada-vendendo-caju

Claro que os motivos das obras também dão um peso dramático ao trabalho: na maioria delas, africanos escravizados seguem vivendo com tristeza, submissão e dor. A apatia é visível nos movimentos que Debret construiu, mas esperto que era, também mostrou resquícios da cultura africana que lutava para sobreviver naquela sociedade branca e catequisada. Os tecidos coloridos, as tatuagens, os rituais fúnebres (mesmo que fossem “católicos”), a beleza negra… está tudo ali, em papéis de 15x21cm. Incrível pensar em quanta história cabe em poucos centímetros de papel. Debret nos faz refletir sobre nossa história, nossa história tão cruel, nossa história que é negra mas que foi esbranquiçada desde sempre. O grande tesouro das aquarelas do francês é a cultura negra, tão linda, tão forte, tão sofrida.

debret02g

A exposição conta com 120 aquarelas da coleção Castro Maya. Depois que Debret voltou para a França, ele organizou todo o trabalho em um publicação batizada de Viagem pitoresca e histórica ao Brasil. Durante anos as obras ficaram pelo velho continente, mas o mecenas e colecionador de arte Castro Maya repatriou esse trabalho ao comprar 500 originais em 1940. Agora o brasiliense pode ver uma parte dessa coleção no Museu dos Correios até o dia 25/10, domingo próximo. Corram que está lindo demais! E peçam o catálogo, que também está sensacional (eles não deixam à disposição. Tem que pedir para o mediador, dentro da galeria). Arte é história. E nossa história é sofrida, mas também é linda demais.

Cola lá!
O Rio de Janeiro de Debret – Coleção Castro Maya
Museu dos Correios (Setor Comercial Sul – Quadra 4, Bloco A, 256)
Até 25/10
Entrada gratuita

Novo Evoé Café: é muito amor

♫ Letuce | Que se chama amor

DSC03156

Goiânia anda numa onda tão boa de novas ideias, projetos interessantes, estabelecimentos criativos… repararam? Há duas semanas um local que se encaixa bem nessa geração produtiva da cidade foi (re)inaugurado: Evoé Café, agora em parceria com Quixote, que assume a cozinha. Depois de quase dois anos ocupando uma salinha charmosa porém apertada da Galeria Central, na rua 3, a dona Giovana Ogando teve uma ajudinha do destino para conseguir alugar um espaço maior e mais gostoso na rua 91, 489, Setor Sul. Conheceu por acaso a proprietária de uma casa que estava namorando há tempos para alugar em uma conversa eventual sobre um de seus assuntos preferidos: arquitetura.

DSC03169

“Adoro conversar sobre casas, prédios, arquitetura em geral. E essa casa aqui sempre me chamou muita atenção por ser de feita de adobe, além disso dava para perceber que era grande. Na época eu cheguei a ligar, interessada no lugar, mas não conseguia pagar o aluguel. Depois de conhecer a dona e falar da ideia do montar um café lá, negociamos e chegamos a um acordo”, conta Giovana, que tem apenas 19 anos, mas muita ideia na cabeça e força de vontade para colocar coisas em prática.

DSC03170

Desde os 16 anos Giovana se mostra talentosa no empreendedorismo criativo, quando começou a trabalhar com produção cultural. Por essa experiência anterior, ela teve a ideia de montar um café que também fosse um espaço “para as coisas acontecerem”. Hoje, seu café tem direito a um ambiente com palco baixo e uma agenda de eventos cheia. Neste domingo chuvoso (14/12), por exemplo, haverá Troca de Ideias sem Discriminação, um bate-papo sobre temas variados (o desta vez é amor) a partir das 16 horas, seguido de uma competição de bambolê. Sobre este último evento, Giovana sentiu a “necessidade” de fazer algo do tipo depois de flagrar seus clientes dia desses, todos compenetrados e empenhados no bambolê. “Entre altos e baixos, [ter o café] tem sido no mínimo muito divertido”, conta rindo.

DSC03163

Livros à venda decoração pensada com carinho pela dona, cheia de peças antigas de família e xodós pessoais; espaço para apresentações culturais e um café ao ar livre, com direito a goiabeira e passarinhos cantando no quintal. Tudo isso faz do Evoé um café especial, onde a gente chega já se sentindo à vontade e querendo tirar o sapato. A cozinha, liderada por Bella Vale da Quixote (empresa de quitutes deliciosos por encomenda), também tem grande parcela de culpa na criação desse espaço aconchegante. Nada dá mais boas-vindas do que pão de queijo e bolo de cenoura acabados de sair do forno.

DSC03165

O dom de Bella na cozinha é hereditário. Cresceu dentro da padaria dos avós e hoje se vê realizando um sonho antigo de ter seu próprio café. “A ideia é fazer algo no estilo dos cafés franceses, um café-bistrô. Servimos bolos, pão de queijo, cookies, bruschettas, sanduíches no pão folha, pastinhas… Neste fim de semana vamos estrear lasanha”, conta Bella. O cardápio não é fixo e sempre tem novidade. Entre as bebidas, além de – obviamente – café, há chás, destilados, drinks, cervejas e vinho. Sexta e sábado, a casa, que abre de quarta a domingo a partir das 14 horas, fica aberta até meia-noite, com luzinhas e velas iluminando o jardim ❤

DSC03158